Epilepsia

Epilepsia e crises epilépticas

Episódios de desconexão, movimentos involuntários ou perda de consciência precisam de uma descrição cuidadosa antes de receberem um nome.

O que é epilepsia?

Epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por predisposição persistente a crises epilépticas. Uma crise ocorre por alteração transitória da atividade elétrica cerebral. Ter uma única crise não significa necessariamente ter epilepsia: o diagnóstico depende do contexto, do risco de recorrência e dos achados da investigação.

Nem toda crise tem convulsão

Muitas pessoas associam epilepsia apenas a convulsões. Em crises com perda de consciência e convulsão pode haver queda, enrijecimento, movimentos rítmicos, mordedura de língua, salivação e confusão ou sonolência depois do episódio.

Crises focais podem aparecer como olhar parado, interrupção súbita da atividade, dificuldade para responder, movimentos automáticos com boca ou mãos, sensação súbita estranha, medo sem motivo aparente, déjà vu intenso, alterações de cheiro ou gosto, sensação abdominal incomum, formigamentos ou movimentos involuntários localizados. Algumas ocorrem com consciência preservada.

Quando suspeitar de uma crise?

Perda de consciência sem explicação, episódios repetidos de olhar fixo ou desconexão, movimentos involuntários recorrentes, eventos noturnos incomuns, acordar com língua mordida ou dor muscular intensa, déjà vu muito intenso e repetitivo, desmaio com movimentos anormais ou confusão após um episódio merecem avaliação. Síncope, arritmias, hipoglicemia, distúrbios do sono, crises psicogênicas não epilépticas, enxaqueca e outras condições podem se parecer com crises.

Primeira crise convulsiva: procure atendimento de emergência

Uma primeira crise convulsiva deve ser avaliada em pronto atendimento para excluir causas agudas, como alterações de glicose ou sódio, infecção, intoxicação, abstinência, trauma, AVC e outras situações neurológicas. Dependendo do caso, podem ser necessários glicemia, exames de sangue, tomografia e outros exames.

O que fazer durante uma crise convulsiva

Faça

Mantenha a calma, afaste objetos que possam machucar, proteja a cabeça, coloque a pessoa de lado quando possível, observe a duração e permaneça próximo até a recuperação da consciência.

Não faça

Não segure braços ou pernas à força, não coloque objetos, colher ou dedos na boca, não tente abrir a boca e não ofereça água, alimentos ou medicamentos durante a crise. A pessoa não engole a própria língua.

Quando chamar o SAMU 192

Chame emergência em primeira crise conhecida, crise próxima ou superior a cinco minutos, crises repetidas sem recuperação adequada, dificuldade respiratória, trauma importante, crise dentro da água, gestação, diabetes, recuperação de consciência que não ocorre progressivamente ou qualquer situação diferente do padrão habitual que preocupe a família.

Como é feita a investigação após uma crise?

Depois da avaliação inicial, o neurologista reconstrói como começou o episódio, o que a pessoa fazia, sintomas prévios, duração, movimentos observados, consciência, coloração, mordedura, recuperação, sono, álcool, medicamentos, drogas e doenças prévias. O relato de testemunhas e vídeos feitos com segurança por familiares podem ajudar muito.

Exame neurológico, EEG, ressonância e exames laboratoriais são escolhidos conforme a situação. Um EEG normal não exclui epilepsia. Em alguns casos, investigação cardíaca ou de síncope também é necessária.

Quando é diagnosticada epilepsia?

O diagnóstico pode ser feito após crises não provocadas recorrentes ou, em algumas situações, depois de uma primeira crise quando a investigação aponta risco alto de recorrência. Essa decisão é clínica e considera todo o contexto.

Tratamento e cuidados

Quando indicado, o tratamento pode envolver medicamentos anticrise escolhidos conforme tipo de crise, idade, sexo, outras doenças, medicamentos e estilo de vida. Muitas pessoas obtêm excelente controle das crises, sem que isso permita prometer um resultado individual.

Evitar privação de sono, tomar medicamentos corretamente, não interrompê-los de forma abrupta, discutir álcool, direção, trabalho em altura, água, natação e outras atividades de risco faz parte de um plano individualizado.

Perguntas frequentes

Uma única crise significa epilepsia?

Não necessariamente. A investigação avalia o contexto e o risco de recorrência.

Um EEG normal exclui epilepsia?

Não. Ele é uma parte da investigação e precisa ser interpretado junto com a história clínica.

Vídeos ajudam na consulta?

Quando obtidos com segurança, podem ajudar a caracterizar o evento.

Conteúdo escrito e revisado por Dr. Tiago Araújo — MÉDICO Neurologista, CRM-PR 28960 | RQE 23709.
Última revisão: setembro de 2026.